Comemoração:
A Festa de Santa Bárbara da
Igreja de Santa Bárbara de Salvador é comemorada no dia 4 de dezembro em
homenagem a madrinha do Corpo de Bombeiros e padroeira dos mercados. Santa
Bárbara também é homenageada pelos adeptos do Candomblé, onde é sincretizada
com Iansã, Orixá dos raios e das tempestades.
O evento é composto de missa,
procissão feita por católicos e praticantes do Candomblé, além das festas nos
terreiros, o caruru de Iansã, samba de roda e apresentação de grupos de
capoeira e maculelê.
Os festejos em homenagem a Santa
Bárbara começaram às cinco horas da manhã, com queima de fogos de artifício, na
alvorada, em frente à Igreja do Rosário dos Pretos, onde, às sete horas, acontece
uma missa. Após as bênçãos, uma procissão percorreu as ruas do Centro Histórico
de Salvador. O cortejo prosseguiu até o Corpo de Bombeiros, cuja corporação tem
a santa como padroeira. A imagem da santa entra na sede dos bombeiros, sendo
saudada com fogos, sirene e jatos de água, da uma volta no pátio e sai em
direção ao Mercado de Santa Bárbara, onde é servido o tradicional caruru para
os fiéis.
História/ Lenda:
Santa Bárbara foi, segundo as
tradições católicas, uma jovem nascida na cidade de Nicomédia (na região da
Bitínia), atual Izmit, Turquia nas margens do Mar de Mármara, isto nos fins do
século III da Era cristã. Esta jovem era a filha única de um rico e nobre
habitante desta cidade do Império Romano chamado Dióscoro.
Por ser filha única e com receio
de deixar a filha no meio da sociedade corrupta daquele tempo, Dióscoro decidiu
fechá-la numa torre. Santa Bárbara na sua solidão, tinha a mata virgem como
quintal, e, segunda alegam as tradições, "questionava-se" se de fato,
tudo aquilo era criação dos ídolos que aprendera a cultuar com seus tutores
naquela torre.
Por ser muito bela, e, acima de
tudo, rica, não faltavam pretendentes para casamentos, mas, Bárbara não
aceitava nenhum.
Desconcertado diante da cidade,
Dióscoro estava convencido que as "desfeitas" da filha
justificavam-se pelo fato dela ter ficado trancada muitos anos na torre. Então,
ele permitiu que ela fosse conhecer a cidade; durante essa visita ela teve
contato com cristãos, que lhe contaram sobre os açegados ideais de Jesus sobre
o mistério da união da Santíssima Trindade. Pouco tempo depois, um padre vindo
de Alexandria lhe deu o Batismo.
Em certa ocasião, segundo contam
as tradições católicas, seu pai "decidiu construir uma casa de banho com
duas janelas para Bárbara. Todavia, dias mais tarde, ele viu-se obrigado a
fazer uma longa viagem. Enquanto Dióscoro viajava, sua filha ordenou a
construção de uma terceira janela na torre, visto que a casa de banho ficaria
na torre. Além disso, ela esculpira uma cruz sobre a fonte".
O seu pai Dióscoro, quando
voltou, "reparou que a torre onde tinha trancado a filha tinha agora três
janelas em vez das duas que ele mandara abrir. Ao perguntar à filha o porquê
das três janelas, ela explicou-lhe que isso era o símbolo da sua nova Fé. Este
facto deixou o pai furioso, pois ela se recusava a seguir a fé dos Deuses do
Olimpo".
Sentença de Morte
"Debaixo de um
impulso", como alegam as tradições, "e obedecendo à sua fé, o pai
denunciou-a ao Prefeito Martiniano. Este mandou-a torturar numa tentativa de a
fazer mudar de idéias, fato que não aconteceu. Assim Marcius condenou-a à morte
por degolação".
Durante sua tortura em praça
pública, uma jovem cristã de nome Juliana denunciou os nomes dos carrascos, e
imediatamente foi presa e entregue à morte juntamente com Bárbara.
Ambas foram, segundo alegam os
católicos, levadas pelas ruas de Nicomédia por entre os gritos de raiva da
multidão. Bárbara, segundo alega-se, teve os "seios cortados, depois foi
conduzida para fora da cidade onde o seu próprio pai a executou, degolando-a.
Quando a cabeça de Bárbara rolou pelo chão, um imenso trovão ribombou pelos
ares fazendo tremer os céus. Um relâmpago flamejou pelos ares e atravessando o
céu fez cair por terra o corpo sem vida de Dióscoro".
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